Campos Sintéticos

Campos Sintéticos
3d6zwei

Isabelle Borges
Campos Sintéticos

04 Set – 27 Out 2018

Abertura
03 Set, 19h–22h


Emmathomas Galeria
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP

Isabelle Borges exibe mostra inédita na Emmathomas Galeria

Em Campos Sintéticos, a artista radicada em Berlim retorna ao país para apresentar 17 obras que refletem sua pesquisa sobre a maleabilidade do espaço

Uma produção bidimensional que extrapola as telas e invade as paredes. Assim é a obra de Isabelle Borges, artista soteropolitana radicada em Berlim que, a partir de 4 de setembro, apresenta a exposição Campos Sintéticos, sua primeira individual na Emmathomas Galeria. Com curadoria de Ricardo Resende, a mostra volta-se à investigação do espaço enquanto lugar do tridimensional e reúne 17 obras inéditas.

O processo da artista é cíclico: tem início no desenho, caminha pela colagem, pintura e mural até retornar à origem. Em sua produção, ela assume uma geometria caótica que mira o infinito por caminhos criados como labirintos. As linhas, planos e cores usadas pela artista se espalham pelo ambiente e confundem o olhar do observador: em um plano único, as pinturas saem dos quadros e seguem pelas paredes. “Nas instalações pictóricas, os espaços físicos são confundidos com as telas e as paredes se desmaterializam. As pinturas são penduradas e distribuídas de forma ordenada, em perfeita simetria. Ao mesmo tempo que rígida, tal organização é dotada de uma leveza imensurável”, pontua Ricardo Resende.

A obra de Isabelle herda ainda influências da arquitetura modernista – reflexo do período em que viveu em Brasília. De Le Corbusier, importante arquiteto francês do século XX, a artista adota a ideia do “espaço inefável”. Suas pinturas se desdobram e rasgam as arestas que impõem limites à tela. O curador relaciona sua produção também com o Dadaísmo, movimento artístico que inovou ao colocar a tela à frente da moldura.

“Isabelle pensa o espaço expositivo quando atua diretamente sobre as paredes do lugar. Ambiente e pinturas tornam-se uma coisa só, permitindo ao público uma experiência visual singular ao transitar pelas instalações espaciais que fundem, à arquitetura, a pintura e a escultura”, explica.

O escritor argentino Jorge Luis Borges também integra seu percurso com forte referência poética. Em Campos Sintéticos, uma referência ao conto O jardim das veredas que se bifurcam, em que o autor relata os caminhos como provisórios e plurais, explorando as possibilidades infinitas entre o tempo e o espaço.

“Desenho para pensar o espaço, às vezes com auxílio da fotografia, depois transfiro o pensamento para outro suporte, a colagem – buscando a relação entre linhas e planos. Na pintura simulo cores e defino as relações espaciais existentes entre linha e cor”, descreve Isabelle. Seu processo é sistêmico, passa pelo espaço ilusório e o real, até alcançar a sensação de gravitação que as suas pinturas sem bordas emitem ao tornarem-se murais.