Tudo posso naquilo que me conduz

Tudo posso naquilo que me conduz
Júlia Molina

Hugo Curti
Tudo posso naquilo que me conduz

07 Nov – 21 Dez 2018

Abertura
06 Nov, 19h–22h


Emmathomas Galeria
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP

Emmathomas exibe mostra inédita de Hugo Curti

Com referências surrealistas, o artista explora um universo fantasioso a partir de peças de uso cotidiano que carregam história 

Objetos resgatados e, posteriormente, reconstruídos com o intuito de ganhar outras funções, outros sentidos. É assim que trabalha o artista visual Hugo Curti, que, no dia 6 de novembro, às 19h, inaugura a exposição individual “Tudo que posso naquilo que me conduz”, na Emmathomas Galeria. Com curadoria de Ricardo Resende, a mostra apresenta um recorte inédito de fotografias, gravuras e pequenas esculturas, totalizando mais de 80 trabalhos.

A meticulosidade em explorar a função inicial de peças descartadas é uma das características do trabalho preciso do artista, que, através de uma pesquisa focada no imaginativo, busca ressignificar e reorganizar objetos de uso cotidiano. Para Hugo, é uma forma de transcender e quebrar os limites convencionais do significado inicial de cada um dos elementos que utiliza. A invenção e a busca revelam a pesquisa arqueológica de Hugo, geólogo por formação, que faz disso uma oportunidade de vislumbrar o mundo, ora de forma surrealista, ora de forma fantástica.

Com um ateliê aberto para visitação na Fábrica de Arte Marcos Amaro, em Itu, interior de São Paulo, Hugo busca dar sentido às peças originárias da casa de força da antiga Fábrica São Pedro, importante polo da indústria têxtil, com relevância histórica e cultural para a região durante o século passado. Para isso, faz uso deresíduos abandonados no local desde a década de 1990. A origem do seu processo criativo parte da premissa de acumular objetos que o levam a refletir sobre salvar aquilo que, aparentemente, não tem valor. A exposição convida o público a resgatar memórias a partir do que o artista recolhe e transforma em peças escultóricas, como sobreviventes do tempo.

Pequenas esculturas, uma instalação formada por fotografias, desenhos e objetos integram o projeto individual pensado para o espaço da Emmathomas, que fecha a programação de 2018 convidando o público a experimentar e vivenciar a produção de Curti. Nas palavras do curador Ricardo Resende, o trabalho expressa sua liberdade no fazer artístico. “Hugo revela uma certa arqueologia, que está no acúmulo de materiais que são reinventados e manipulados até tornarem-se pequenas esculturas”, explica.

Sem ser caracterizado pelo material ou suporte que trabalha, Hugo Curti transita por uma produção multidisciplinar. “Tem uma ligação com Artur Bispo do Rosário, que tem o seu legado reconhecido pela matéria-prima que tinha à sua disposição, inserida em seu cotidiano”, comenta o curador. O mesmo se dá com Hugo, que fertiliza e materializa sua obra a partir do que o cerca.

As obras de Hugo Curti têm fortes referências à sua formação em Geologia. Ele cria narrativas inusitadas sobre as relações humanas e permite ao público uma liberdade lúdica para interpretação. “Quero que, ao interagir com as obras, as pessoas achem estranho, esquisito. É assim que ela se apropria”, pontua o artista. Na mostra apresentada, memória afetiva e tradições são interligadas com o intuito -de resgatar o passado e preservá-lo, dando uma sobrevida aos objetos.