Guardiões

Guardiões
Beatriz Sant'Ana

Samuel de Saboia
Guardiões

01 Fev – 23 Mar 2019

Abertura
31 Jan, 19h–22h


Emmathomas Galeria
Alameda Franca, 1054
Jardim Paulista, São Paulo, SP

Emmathomas apresenta exposição pop-up de Samuel de Saboia

Artista recifense explora a natureza dos anjos em mostra que reúne trabalhos de diferentes suportes; Guardiões, com curadoria de Ana Carolina Ralston, é a primeira individual de Saboia no Brasil

Criaturas que caminham entre a luz e a sombra, abarcando os dois lados dentro de si. Duais, se apresentam em formas diversas: são mensageiros e também guardiões. Os seres viventes, chamados de anjos no Velho Testamento, por vezes encantam e em outras tantas assustam. Em Guardiões, exposição pop-up inédita que o artista recifense Samuel de Saboia estreia na Emmathomas Galeria, no dia 31 de janeiro, eles surgem e são onipresentes. Com curadoria de Ana Carolina Ralston, a mostra faz parte do projeto que traz artistas convidados para expor no espaço expositivo do mezanino da galeria.

“Assim como as aparições inesperadas desses seres, as pinceladas de Saboia são repentinas, explosivas e voluntariosas”, comenta a curadora. “As cerdas deixam rastros de tinta, vezes acrílica, vezes óleo, que são revistas pelos seus próprios dedos, usados para pontilhar, suavizar ou trazer ainda mais emoção à tela”, complementa.

Saboia investiga e reinventa os seres viventes. Com gestos abstratos e viscerais de suas pinceladas, eles surgem em rituais indígenas, como O Pajé E A Lua (2018), ou ainda em cenas utópicas, como Crianças Estelares (2018), onde a união social não permite que minorias e maiorias sejam vilipendiadas por atos de injustiça. O artista pinta criaturas andróginas e pendulares entre dois mundos. “Se os anjos não possuem sexo, porque nós precisamos estabelecer um?”, questiona o artista, de 21 anos. “Como jovem e  negro, sou um corpo político”, afirma.

O chamado da arte soprou cedo aos ouvidos de Samuel. Aos 12 anos, o jovem fazia da noite seu dia. Pintava escondido durante as madrugadas. Seus pais, pastores no Recife, achavam que o garoto era possuído por forças malignas, mas a arte surgiu como pulsão e acabou ganhando ares que beiram o espiritual.

Samuel entrou na faculdade de arquitetura e urbanismo prematuramente, aos 15 anos. Perdeu-se. Deprimido, deixou o curso e tentou a sorte em um curso de design gráfico. Cursou-o por algum tempo, tempo que julgou não ter. Abandonou a universidade prestes a se formar e se jogou no mundo das artes. Aos 21 anos, possui três exposições em Nova York em seu currículo, a última delas uma individual na Ghost Gallery, no Brooklin; além de mostras em Lisboa e Paris.

Bem como suas obras, as influências de Saboia são duais. Para além da educação familiar rígida, a infância na capital de Pernambuco, cidade luzente, trouxe a natureza suntuosa e a luz intensa para dentro da paleta usada pelo artista. “Samuel traz vermelhos, verdes e amarelos que pontuam as criações e criaturas, em contraposição aos hemisférios escuros, em preto e azul cobalto, simbolizando a claridade e a sombra que coexistem dentro de tudo e de todos nós”, diz Ralston.

Samuel age sem medo e experimenta diferentes suportes para dar vida a seu pensamento. Segue na busca por unir o corpóreo e o espiritual que coexistem em seu interior. Essa liberdade também aparece em Eu te amo, eu te amo, eu te amo, tapeçaria de 80 x 60 cm que o artista relembra a destreza de sua mãe –  uma de suas maiores guardiãs – quando tecia roupas para a família.

Guardiões é a primeira individual de Samuel de Saboia no Brasil. Pela primeira vez, o artista exibe esculturas de cerâmica fria, obras inéditas nas quais busca trazer os seres viventes para outra dimensão, na combinação de curvas e aspectos disformes.

 

Sobre o artista

Nascido no bairro de Totó, no Recife, Samuel de Saboia, 21 anos, realizou sua primeira exposição individual no ano passado, na Ghost Gallery, em Nova York. Começou a carreira ainda muito jovem, aos 15 anos, em 2012, com a coletiva no espaço Casarão, no Recife. A partir de então integrou algumas mostras pelo mundo, entre elas Paredão, no CCSP de São Paulo (2017), The Skin I’m In, na Space 776, em Nova York (2018), e agora, sua primeira solo no Brasil, na Emmathomas Galeria. Durante sua temporada em Paris, no fim do ano passado, passou a integrar o La Barraque Creative, coletivo que faz intermédio entre artistas e grandes grifes nacionais e internacionais.