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Zona Maco

Zona Maco
2 de fevereiro de 2018 Stefânia Sangi

A começar pelo nome da cidade onde nasceu, o artista já carrega na sua obra o estranhamento do título desse lugar de onde veio, Riacho das Almas, interior do estado do Pernambuco.

Esse título parece texto extraído das páginas do livro O Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, ou dos escritos de José Lins do Rêgo, com suas lendas, misticismo e lirismo. Dois autores que descrevem um Brasil profundo, um lugar metafórico, mítico e mágico ao mesmo tempo.

Essa magia do nome, riacho das almas, vem de um cemitério que ao ter sido construído às margens de um riacho que secou, restaram apenas as almas dos corpos ali enterrados.

As performances, fotografias e esculturas de Carlos Melo trazem o mesmo misticismo desse ambiente do sertão com seus riachos, matas e bichos que formam a paisagem característica da região nordestina. Lugar marcado pelo clima do semiárido.

É nesse ambiente que Melo insere seu corpo, onde toma formas animalescas e que faz suas fotografias, vídeos e desenhos. É cabelo, pelos, couro, ossos e corpo. Corpo contorcido e retorcido que assume formas sobre humanas. Formas fantásticas.

As fotos são nada mais do que registros dos momentos vividos pelo artista. São feitas sem preciosismo do contorcionismo e das situações ritualísticas que cria. Uma densidade impregnada de volume e de valores simbólicos.
O trabalho se dá entre vida, corpo e morte. É dai o mundo representado em suas imagens, uma osmose feita de gases, matéria e água. Um mundo líquido e gosmento, que tudo escapa da realidade, é oleoso. São imagens que fogem da realidade ao se misturarem entre si, fantasticamente.

Melo cria relações inusitadas entre móveis, microfones, ossos e manchas densas de grafite que lembram formas do cabelo. Cabelo de fios longos.
É um processo que se encaminha para o sensível. Os trabalhos são estados de suspensão e de conformação física, são quase um estado de levitação do corpo.

 

Na manipulação da construção da imagem e das esculturas, Melo cria diálogo entre imagens e palavras. Essas se assumem imagem ao transformar vivências em símbolos míticos e místicos.

Em “Móvel colonial” as esculturas são feitas com ossos de boi, as esculturas vêm de uma espécie de metafisica antropofágica e exigem um certo equilíbrio para se manterem estáveis. Escoradas numa parede ou simplesmente penduradas como um objeto dobrado, algumas recebem espessas camadas de tingimento amadeirado. O verniz como metáfora da colonização dessa nossa “inconstante alma selvagem”, como diz Eduardo Viveiros de Castro.

 

O trabalho “extravio ameríndio” é um painel de neon montado sobre placa de acrílico opaco branco.

Programado para acender e apagar o anagrama Iracema/ América, surpreende o público ao revelar três palavras: rica, ame e ira.

O painel de neon tem dimensões de 100 x 180 x 40 cm. Ainda para a exposição na feira de arte, o trabalho “Sem título” que são desenhos produzidos entre 2009 a 2017, com dimensões variáveis.

A começar pelo nome da cidade onde nasceu, o artista já carrega na sua obra o estranhamento do título desse lugar de onde veio, Riacho das Almas, interior do estado do Pernambuco.

Esse título parece texto extraído das páginas do livro O Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, ou dos escritos de José Lins do Rêgo, com suas lendas, misticismo e lirismo. Dois autores que descrevem um Brasil profundo, um lugar metafórico, mítico e mágico ao mesmo tempo.

Essa magia do nome, riacho das almas, vem de um cemitério que ao ter sido construído às margens de um riacho que secou, restaram apenas as almas dos corpos ali enterrados.

As performances, fotografias e esculturas de Carlos Melo trazem o mesmo misticismo desse ambiente do sertão com seus riachos, matas e bichos que formam a paisagem característica da região nordestina. Lugar marcado pelo clima do semiárido.

É nesse ambiente que Melo insere seu corpo, onde toma formas animalescas e que faz suas fotografias, vídeos e desenhos. É cabelo, pelos, couro, ossos e corpo. Corpo contorcido e retorcido que assume formas sobre humanas. Formas fantásticas.

As fotos são nada mais do que registros dos momentos vividos pelo artista. São feitas sem preciosismo do contorcionismo e das situações ritualísticas que cria. Uma densidade impregnada de volume e de valores simbólicos.
O trabalho se dá entre vida, corpo e morte. É dai o mundo representado em suas imagens, uma osmose feita de gases, matéria e água. Um mundo líquido e gosmento, que tudo escapa da realidade, é oleoso. São imagens que fogem da realidade ao se misturarem entre si, fantasticamente.

Melo cria relações inusitadas entre móveis, microfones, ossos e manchas densas de grafite que lembram formas do cabelo. Cabelo de fios longos.
É um processo que se encaminha para o sensível. Os trabalhos são estados de suspensão e de conformação física, são quase um estado de levitação do corpo.

 

Na manipulação da construção da imagem e das esculturas, Melo cria diálogo entre imagens e palavras. Essas se assumem imagem ao transformar vivências em símbolos míticos e místicos.

Em “Móvel colonial” as esculturas são feitas com ossos de boi, as esculturas vêm de uma espécie de metafisica antropofágica e exigem um certo equilíbrio para se manterem estáveis. Escoradas numa parede ou simplesmente penduradas como um objeto dobrado, algumas recebem espessas camadas de tingimento amadeirado. O verniz como metáfora da colonização dessa nossa “inconstante alma selvagem”, como diz Eduardo Viveiros de Castro.

 

O trabalho “extravio ameríndio” é um painel de neon montado sobre placa de acrílico opaco branco.

Programado para acender e apagar o anagrama Iracema/ América, surpreende o público ao revelar três palavras: rica, ame e ira.

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