BR EN

Estufa

Estufa
12 de December de 2016 admin

Anos desafiadores em todas as esferas e, com os novos paradigmas, vivenciamos a urgente necessidade de repensar, recomeçar, redesenhar, remodelar a função da produção artística e dos espaços e plataformas de ativação cultural, público e privado.

A jornada de 10 anos da ‘Emma Thomas’ (figura fictícia que brinca com estruturas de poder), sempre foi encontrar alternativas para a sobrevivência de espaços independentes de arte, com e sem fins lucrativos ou híbridos. Nos quatro primeiros anos – na Rua Augusta – o projeto foi mantido com recursos particulares e em parceria com os artistas, todos trabalhando em outras áreas para a manutenção da programação cultural. Após o convite da Galeria Baró para coexistir em um grande galpão na Barra Funda, embarcamos na experimentação do modelo ‘galeria de arte’ e começamos a participar de feiras nacionais e internacionais, ampliando a reverberação do programa e possibilitando intercâmbios com artistas, curadores, projetos e galerias internacionais.

Sempre com resiliência, a galeria se estrutura na tentativa de viabilizar pesquisas mais conceituais, jovens ou não inseridas no mercado, constante na missão de democratizar o acesso ao conteúdo e ao consumo de arte contemporânea, em um ambiente livre para a experimentação, amadurecimento, fortalecimento e consolidação da cena artística local. Esta entidade privada com alma pública atraiu um grupo de apoiadores (artistas, curadores, imprensa, colecionadores, empresas, público) e se desenvolveu como uma comunidade horizontal de acolhimento a novas iniciativas de artes visuais (eventualmente música, dança, educação, teatro, design, publicações).

Estudando como se reorganizar para os próximos anos e manter esta plataforma de investigação e questionamento cultural, os modelos da economia colaborativa vêm de encontro às necessidades do momento. A primeira ação foi uma movida para Nova Iorque, uma experiência de gestão onde artista, galeria, amigos e apoiadores estabelecem uma parceria ainda mais próxima e desta forma, foi possível até hoje erguer seis mostras.

Por sincronicidade, em São Paulo a galeria encontra um projeto novo que, como base, tem a missão de redescobrir espaços históricos na cidade e reinventá-los para fins comerciais ou culturais. Após quatro anos em seu terceiro endereço – Rua Estados Unidos – com dúvidas e percalços sobre o melhor ambiente e formato para a continuidade de sua programação, a Emma Thomas entra como uma das agentes culturais à ocupar uma bela casa de 1920 em Campos Elisios, projetada por Ramos de Azevedo. Este possível Centro Cultural, gerido e compartilhado por empresas sinérgicas (galeria, teatro, espaço para aulas, cursos, palestras, restaurante, café, etc), atualmente está sem previsão de abertura e funcionou por um breve período como uma ocupação. Neste período de suspensão, a galeria encontra mais um lugar empático aos seus questionamentos sobre o ‘cubo branco’, um dos pais de espaços alternativos de arte em São Paulo, Leo Laniado, que apresentou nos anos 70 nomes como Hélio Oiticica, Amilcar de Castro, Leon Ferrari, Ligia Pape, Ivald Granato, Rubens Gerchman, Carlos Vergara entre outros cânones da arte brasileira.

Este encontro entre dois amantes da arte contemporânea de vanguarda resulta na recente aventura de quatro mostras/ instalações dos artistas Ramsés Marçal, Erika Malzoni, Lucas Bambozzi e Yuli Yagamata. São intervenções que se relacionam com as disfunções da ideologia do capital e também sua contraposição, a reconexão com a natureza. Neste período, paralelo ao programa cultural, a galeria intensificará a pesquisa sobre o ‘Galpão Espaço Alternativo’ (de Leo Laniado e Martin Penrose), no formato de vídeos e entrevistas. Documentando a vida e os desafios de espaços alternativos de arte, contribuímos para a melhor compreensão de um recorte importante da produção de arte brasileira.