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Victor Leguy e Gabriel Bogossian na Funarte

O MUSEU INEXISTENTE Nº 01.

Victor Leguy e Gabriel Bogossian
A idéia proposta pelo Museu Inexistente é problematizar o papel do museu nos dias de hoje, como o mesmo é entendido, sua dita obsolência, seu caráter como o local que abriga objetos selecionados por determinadas razões, “troféus” do homem “civilizado” que busca colecionar, construir a história que conhecemos sobre um ponto de vista que atenda aos interesses de uma minoria específica. O pensamento do projeto ativa ainda como o museu exerce um papel determinante na construção da imagem do “outro”, de como entendemos e absorvemos as informações que formam esta imagem, esta “bagagem” composta de sentidos e informações coletadas, articuladas ao longo de nossa história.

A proposta da exposição é criar um museu fictício, que atue de forma horizontal incluindo diversos agentes neste processo - artista, pesquisador, curador, crítico, antropólogo, museólogo, filósofo, montador, arquiteto e convidados, deixando de lado a própria idéia da obra de arte, ja que, é esta co-autoria que “assina” o que será realizado. O museu aborda diferentes assuntos em volumes diferentes, neste primeiro volume o museu se dedica a refletir sobre a presença indígena na cultura brasileira a partir de registros coletados e produzidos sobre os Enawenê-Nawê, povo indígena residente no Mato Grosso. Por isso, é parte fundamental do projeto uma extensa pesquisa – iconográfica, objetual, documental e audiovisual – sobre os conteúdos relativos a esse povo em acervos e coleções do Estado de São Paulo. 

O projeto almeja reavaliar a História do Brasil de forma horizontal, trazendo para o centro do debate o imaginário construído sobre os excluídos – ou vencidos, para acompanhar Benjamin – dos nossos debates culturais e dos nossos processos políticos. Ao problematizar a presença indígena em imagens, filmes, documentos e objetos, o projeto pretende ao mesmo tempo trazer à superfície “estórias” que permanecem à margem das narrativas “oficiais” e pensar a construção da imagem desse Outro indígena, tal como ela foi feita em acervos, coleções e instituições não- indígenas ao longo dos anos.

Será construída uma estrutura articulável que atua de forma direta no espaço expositivo. Como um organismo autônomo, essa estrutura terá módulos feitos em madeira, que reestruturam parte de sua configuração interna de acordo com o volume de informação que recebe, abrigando a história de uma forma viva. Estão programados alguns encontros dentro deste espaço, para expandir a idéia a respeito do projeto, que contará com todos os agentes envolvidos no processo - artista, curador, crítico, antropólogo, museólogo, arquiteto, montador, e convidados.