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SoloProject SParte 2014 | Rodrigo Moura

A obra de Arnaldo Dias Baptista é um tesouro escondido, que merece ser visto, conhecido e interpretado. Sua linguagem visual, expressa em desenhos, pinturas e colagens, se dá como contínuo da sua pesquisa musical e não raro são propostas para instrumentos, cantos e sons. 

O fio condutor entre as duas artes pode ser encontrado na linguagem verbal, que o artista domina com seu interesse incansável por trocadilhos, jogos de palavras, corruptelas e aliterações, que se alternam entre as imagens e os sons, num diálogo sinestésico hipnotizante. Nas obras que selecionamos para a SP-Arte, uma extensa série de desenhos com títulos grafados junto à imagem (2000) são espécies de caligramas psicodélicos, onde decifrar as imagens junto com o texto se coloca como algo intrigante para o leitor. 

Em outros desenhos, dos anos 1990, criaturas imaginárias ocupam a superfície do papel como que a animá-la, com formas orgânicas, ectoplasmáticas e por vezes escatológicas. Nas pinturas incluídas nesta apresentação, especialmente pensada para a SP-Arte, há também a relação entre imagem e texto, não raro aludindo a títulos de canções ou propondo poemas-slogans ou ainda fazendo referência aos Mutantes, a banda que projetou Arnaldo musicalmente nos anos 1960 e em que primeiro o artista deu vazão a seu gênio inventivo marcado pela experimentação. Conhecer sua produção visual, apresentada com algum fôlego nesta pequena mostra, é dar um passo adiante na mente fascinante de um artista que está sempre preparado para colocar em risco a nossa confiança excessiva na lógica, convidando-nos a desfrutar de sua visão de mundo poética e singular.

Rodrigo Moura

The work of Arnaldo Dias Baptista is a hidden gem which deserves to be seen , known and interpreted . His visual language, expressed in drawings, paintings and collages, naturally extend from his musical research, and cues to instruments, songs and sounds are not at all unusual. The common thread between the two arts can be seen in his verbal language, which the artist skillfully masters through his relentless interest in puns, wordplay, alliterations and linguistic corruptions, whereby images and sounds take turns in a mesmerizing synaesthetic dialogue.

In the works selected for the SP-Arte, an extensive series of drawings, with titles spelled out on them (2000), are sort of psychedelic calligrams which intriguinly invite the reader to decipher both image and text. In other drawings (from the 90’s) imaginary creatures occupy the surface of the paper so as to animate it , with organic, ectoplasmic - and at times scatological - forms.

In the paintings included in this presentation, the relationship between image and text is also very present, often alluding to titles of songs or proposing slogan- poems, or even making references to the Mutantes - the band which projected Arnaldo musically in the 60’s - where he first gave vent to his inventive and experimental genius.

Experiencing his visual production, vibrantly presented in this small exhibit, is to step into the fascinating mind of an artist who is always prepared to challenge our overreliance on logic, inviting us to rejoice in his poetic and singular vision of the world.