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Ninguém é uma ilha

Marco Banfi // De 4 de dezembro de 2010 a 22 de janeiro de 2011

Tempo. Identidade. Estética. A estética da identidade no tempo: atmosferas para lembranças em forma de códigos revirados, disfarces icônicos. Marcio Banfi propõe uma revisão para o efêmero, dialoga com uma história que também é adorno, pintura fake, incorreção indissociável. E revisita o corpo com um erotismo próprio de quem se mostra presente-ausente em uma realidade fantástica. Essa é sua segunda pele múltipla, superexposta, denunciando a urgência dos padrões de beleza e trazendo sentidos a toda essa existência-ficção. A memória aqui aparece ressignificada porque o personagem-artista é suporte, modelo, experimento. São épocas nunca presenciadas, personas milimetricamente em descontrole, marcas novíssimas nas paredes dos ossos (dele, nossos). Na fluidez das cenas e quadros, o universo da moda, os arroubos do consumo, a pertinência da arte e a dúvida da antiarte se encontram como vertentes desse criador plural, educador e poeta imagético. O espaço é de apropriação para verdades entrecortadas: 18 obras questionando a egolatria do autorretrato, a representação do mesmo e a narrativa imperfeita dessa percepção. A motivação parte de uma vontade imaculada de expressão e irrompe os limites de uma era de indivíduos-série, palavras-imagens, mutação-performance, fracasso-sucesso. A celebrização do self tem fisionomia indolor, mas não menos pungente, suave e grotesca. Como uma calma convulsão – assim é Banfi, em quase tudo.

A exposição se modifica, imóvel, como na dismorfia de uma sala de espelhos, porque o público é agente, reflete embora refletido. “Ninguém é uma ilha”, “Ralo”, “Repicado, ao vento”, “Fingindo viver nesse mundo”, “É um moinshtro”, “Anos dourados”, “Doentes”, “Passaporte”, são os títulos de alguns desses segredos; foto, vídeo, roupa, caneta esferográfica, os meios e técnicas de contá-los. ?
E ainda há os cabelos condutores que unem e separam a trajetória. Morbidez fashion? São fios-recados de quem deixa vestígios e traduz o documental como imaginação.