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Lastlândia

Laerte Ramos // de 14 de março a 13 de abril de 2004

Laerte Ramos apresenta “Lastlândia”, uma instalação de cerâmica com esculturas que ocupam o chão de uma forma, ao mesmo tempo, espalhada e organizada sobre camada de areia, que lembram um acampamento armado com tendas e soldados em alerta, prontos para combate, e que trazem uma percepção de vista aérea da composição em que as esculturas se apresentam.

De acordo com Laerte, as esculturas foram baseadas nos soldados de plástico e temas militares que são vendidos em saquinhos sortidos em “lojas de 1,99″. Estes saquinhos de brinquedos oferecem uma variedade de acessórios extras como barricadas, sacos de areia, galões de gasolina, cones, caixas, baús, assim como os próprios soldados em posições diversas, carros, jipes, tanques, aviões e botes. “O curioso destes brinquedos é que cada objeto tem uma relação de escala independente, além de colorações próximas umas das outras, mas diferentes, oriundas das massas de plástico distintas que foram usadas e misturadas em cada pacotinho posteriormente”, detalha.

Laerte aprofunda ainda mais sua pesquisa na utilização da cerâmica para as esculturas. Embora seja um material frágil, a plasticidade e inúmeras possibilidades de se conseguir efeitos que se assemelham, ora ao próprio plástico dos brinquedos que deram origem as formas finais, ora ao vidro, o couro, a lona, o metal, são os motivos pelo qual o artista optou em usar esse material. “A cerâmica me satisfaz muito quanto ao resultado que busco chegar. Esta massa, que conta a cada aperto e a cada manuseio um conto, fica a espera de espectadores para perceberem suas superfícies e entenderem suas estórias e suas batalhas”, explica.

Uma novidade nos suportes utilizados pelo artista estará em “Lastlândia”. A partir de desenhos que criou em seu diário, durante sua residência em Paris, na Cité des Arts, em 2001, Laerte apresenta algumas monotipias, gravura de cópia única, transferidas para o mármore, material muito usado em escultura.