News

Exorealismo | Segunda Individual de Arnaldo Dias Baptista

“Exorealismo” é a segunda individual do artista e músico na galeria, desta vez com curadoria de Marcio Harum. A seleção de obras parte da noção de que a produção do Arnaldo nas artes plásticas está profundamente calcada na música. “O artista vem trabalhando em uma espécie de tentativa de materializar o som plasticamente. São pinturas e desenhos em que Arnaldo propõe que a invisibilidade do som seja representada bidimensionalmente. A partir da utilização de cores e formas em suas colagens, objetos e assemblages, desenvolve subcategorias ressaltando a lisergia dos anos 60, bem como o desbunde visual dos anos 70”, explica o curador Marcio Harum.

Além destes trabalhos, há uma série de obras que podem ser associadas aos emoticons, signos e símbolos de comunicação e de meios de mensagem rápida. “O contexto histórico em que Arnaldo se desenvolveu é inerente à sua produção, reativando e revivendo o psicodelismo nos dias de hoje. Há obras realizadas em suportes como bumbos, guitarras etc, além da utilização de palavras como valvulados, holofônicos, energia, ondas senóides. A partir deste entendimento – o homem em seu espaço multidimensional – o arquiteto Buckminster Fuller é uma das grandes referencias para o artista quando idealiza o palco ideal para a apresentação de suas ideias”, contextualiza Marcio.

Ainda, as séries com figuras alienígenas ou elementos e seres extrafísicos são muito marcantes. Ele se interessa por esse estudo cientifico das leis invisíveis do cosmos, entende a música ou o mundo não só mecanicamente, mas com um olhar amplificado para outras dimensões ou vibrações, interpretações livres, espiritualistas ou poéticas.

Texto curatorial:

Produzidos a partir dos anos 1990, os trabalhos de Arnaldo Dias Baptista reunidos para a exibição EXOREALISMO, integram o ambiente do ateliê-estúdio musical de sua residência em Juiz de Fora (MG). São desenhos, pinturas, objetos, colagens e assemblages que nos alcançam como se fossem veículos de locomoção e acesso a estruturas sonoro-espaciais de outros tempos, seres e lugares.

Com forte inspiração visual na lisergia, Arnaldo Dias Baptista nos apresenta palavras, cantos e imagens em fundo Sci-Fi tropical de sentido, em que despontam pequenas peças, verdadeiros ícones glam - diabretes que mais se parecem a emoticons e stickers -, ou signos de comunicação online tão utilizados nos meios de mensagem rápida da atualidade. Cores e formas que buscam materializar a natureza invisível do som, aplicadas ao conceito holofônico de gravação binaural, são descobertas pela representação de instrumentos presentes em algumas das obras desta exposição - o que faz reavivar sua formação e trajetória de músico e artista desde os anos 1960, como cantor e compositor da banda Os Mutantes.

Pela falta de limites artísticos na experimentação multidimensional de liberdade e coragem de seus ideais, Arnaldo Dias Baptista nos brinda nesta segunda mostra individual com novos trabalhos que canalizam sua mais pura energia intuitiva e mental, confirmando que a ascese o fez atingir a própria recriação vital, ao encarnar por excelência, libido e emocionalmente, o seu papel de performer com cartola de mago.

Marcio Harum