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Eu Sempre Soube

NAZARENO // De 21/08/2010 a 11/09/2010

De
Com certeza

Eu sempre soube que as coisas, quando vistas à distância, são diferentes.
Eu sempre soube que a verdade da proposição está ligada ao ponto de vista do espectador.
Eu sempre soube que quanto mais a gente acha que sabe, mais difícil fica saber das coisas.
Eu sempre soube que há coisas que permanecem, ainda hoje, um grande mistério para a ciência.
Mas procuro não pensar muito nisso.

Eu sempre soube que dois mais dois são quatro.
Eu sempre soube que tudo o que sobe, desce.
Eu sempre soube que coisas maravilhosas e horríveis podem acontecer a qualquer momento.
E por que não hoje?

Eu sempre soube que todas as minhas certezas estavam por um fio.
Eu sempre soube que o contrário é verdadeiro também.
E que não há contradição entre as duas últimas afirmações.

Eu sempre soube que nosso destino é insondável, embora siga leis claras.
Continuo consultando oráculos, astros, meus amigos e um bom mapa.

Thais Rivitti

“Eu sempre soube” exibe esculturas, instalação, desenho e objetos de Nazareno. O desejo de controle que temos sobre as coisas e de nossa impotência sobre o mesmo é recorrente na obra do artista. Em sua poética Nazareno aborda aspectos relacionados à infância, desejos, memórias familiares permeadas de emoções, não só de forma pessoal e também em consideração o outro. A obra “Eu sempre soube”, homônima da mostra, é uma montanha russa feita em madeira ocupando o espaço de aproximadamente 10 m². O trabalho remete a questões emblemáticas como os altos e baixos, ganhos e perdas e reservas de domínio que estão impressos em um subir e descer contínuo realizado pelo olhar do espectador. Vários pequenos desenhos produzidos em nanquim sobre papel formam o desenho de grande dimensão,”Céu,pele,pelos”.

Aspectos recorrentes da poética do artista são exemplificados em “Não chore, tem gente olhando.”: a timidez, o receio do público, os primeiros passos e uma audiência não necessariamente afável e a tentativa de desviar a atenção dos reais problemas