News

Antonio Lee | EmmaThomasNY

Pareidolia

Text Mario Gioia

Artist Talk 18th | 6-8 PM
Opening October 14th | Until November 9th 
Gallery Hours: 
Wed - Sat 12-6 PM

A filial da galeria Emma Thomas inaugura no dia 14 de outubro, a primeira individual do artista Antonio Lee em Nova York. Reunindo um conjunto de aproximadamente nove telas e texto do curador Mario Gioia, a série 'Pareidolia" desloca-se da colagem e figuração que permeam sua pesquisa anterior, à jogos pictóricos que se desdobram em novas construções espaciais, envolvendo projeções, vontades, pulsões, ressignificações.

Lee segue sua trajetória como artista de ateliê, onde o embate com a materialidade, o tempo, o ritmo, a técnica, o gesto e as potências inerentes à cada material, trazem novas possibilidades e rupturas. Desde sua última série, vêm diluindo, aquarelando e estilhaçando seus elementos de investigação. Sobre a tela, o incomum da mistura dos materiais como a permanência e a densidade do óleo, o negro traço que evoca o grafite do desenho, a maleabilidade da acrílica, por exemplo, contribuindo para que os panoramas fragmentados ganhem uma coerência interna, ressaltando a especificidade de cada um desses ‘assuntos’ pictóricos. 

Antonio Lee, São Paulo, SP, 1981. Artista plástico, estudou na Fundação Armando Alvares Penteado, SP, Brasil. Em 2012 ganhou o prêmio Bolsa FAAP pelos trabalhos apresentados na 44a Anual de Artes do mesmo ano. Participou de diversas mostras individuais e coletivas, em galerias e espaços institucionais. Mistura técnicas da pintura tradicional e contemporânea na construção de imagens que expressam movimento e dinâmica. 

Serviço:

Pareidolia, Emma Thomas NY, Solo Show Antonio Lee.
De 14 de outubro a 9 de novembro de 2016, Emma Thomas Gallery, 319 Grand Street, 5 floor, Lower East Side, NY 10002, U.S.A.
Mais informações: www.emmathomas.com.brcontato@emmathomas.com.brjulia@emmathomas.com.br



Pareidolia

“Pareidolia é inevitável.” Assim o jovem artista de São Paulo Antonio Lee sintetiza um dos plots de sua primeira individual em galerias fora do Brasil. Pareidolia, o fenômeno a que ele se refere, em resumo, tem a ver com um estímulo aleatório, em geral imagem ou som, que é percebido como algo com significado. É o título da sua mostra, que explicita a necessidade humana de familiarização, mesmo que por meio de catalisadores mínimos. “Somos seduzidos pelo desejo de dar sentido ao mundo”, diz o artista, e, sob essa égide, os jogos pictóricos construídos por ele se configuram e se desdobram, envolvendo, sem dúvida, projeções, vontades, pulsões, ressignificações.

Cabelos, penachos, rostos, figuras humanas, vasos, copos, animais diversos. A nova série de Lee é exímia em nos fornecer tais elementos próximos, e é virtualmente infindável o conjunto de imagens que podemos encontrar nessas pinturas. É uma clara habilidade do artista criar sobre essas anteriores superfícies brancas universos dos mais variados e apresentá-los com alguma unidade – mesmo que esta seja um dado algo caótico. Mas é uma impressão apriorística. Lee trabalha muito em cima de cada trabalho e não foge da disciplina rotineira do ateliê para alcançar tais resultados plásticos.

Na nova série que fundamenta Pareidolia, Lee exibe sua versatilidade em utilizar materiais para dar conta de um resultado múltiplo. Assim, o gesto ágil do spray, a permanência e a densidade do óleo, o negro traço que evoca o grafite do desenho, a maleabilidade da acrílica, por exemplo, contribuem para que os panoramas fragmentados do artista ganhem uma coerência interna, ressaltando a especificidade de cada um desses ‘assuntos’ pictóricos. Em relação à individual anterior ocorrida em São Paulo, no ano passado, Lee parece ter estilhaçado ainda mais os elementos e, por vezes, o cromatismo é mais aquarelado.

A produção do paulistano, então, parece estar conectada à maximizada circulação, veiculação, exibição e partilha de imagens e informações de nosso tempo, em nível exponencial. É como se o espírito de colagem fosse predominante, mas as ferramentas que espelham tal escolha fossem os mesmos da pintura menos cambiante de outrora. Paleta, luz, cor, gesto, todos componentes já utilizados quase à exaustão na história da arte por sua linguagem mais ‘nobre’, mas, hoje, num contexto brasileiro, ajudam a criar um relativo corpus recente do suporte, desta vez mais ao sul do Equador.

“(…) Os artistas brasileiros depreendem um esforço mais constitutivo do que os seus contemporâneos e europeus. Elaboram elementos da arte brasileira e estrangeira para compor uma linguagem, não para desconstruir um discurso”1,escreve o crítico de arte brasileiro Tiago Mesquita. Ao mesmo tempo, é possível relacionar o ‘frescor’ da obra de Lee com momentos importantes da história da arte brasileira, como a do “prazer de pintar” da chamada Geração 80, esta também conectada a outras correntes de ‘explosão’ pictórica naqueles anos mundo afora. É interessante perceber também que boa parte dos pintores ‘oitentistas’ expõem recortes tão joviais quanto Lee e seus pares geracionais.

E o traço da colagem já se manifestava em Lee nas telas de sua produção inicial, quando ele, em fase figurativa, se amparava na estranheza de found photographs disponíveis na rede para criar elaboradas composições que tateavam o bizarro, por exemplo. O incomum de agora pretendido pelo artista não se baseia na verossimilhança, e sim mais no que é sugerido, indicialmente, no que se compõe como vestígio. Assim, Antonio Lee une o cacofônico ao incompleto para, daí, extrair um veio móvel e inquietante, tão caro à contemporaneidade.

Mario Gioia, outubro de 2016

1.       DIEGUES, Isabel e COELHO, Frederico (org). Pintura Brasileira Século 21. Rio de Janeiro, Cobogó, 2011, p. 275 

__________________________________________________________________________________________________

On October 14th at Emma Thomas's gallery in New York opens the first solo show of Brazillian artist Antonio Lee. Gathering a group of nine paintings and a text by curator Mario Gioia, the series of paintings entitled "Pareidolia" moves away from collage and figuration, present in the artist's earlier research. Pictorial games that unfold themselves in new spacial constructions involve the viewer with their own projections, desires, pulses and redefinitions.


Lee continues with his work as a studio artist, where the clash between materiality, time, rhythm, technique and the inherent power of each material bring new possibilities and ruptures. On the canvases take place an unusual mix of materials and techniques such as fleeting airbrush scribbles, the density of impasto oil and watered down acrylics that all come together to form fragmented panoramas that gain internal coherence.


Antonio Lee, São Paulo, 1981. Visual artist, studied at Fundação Armando Alvares Penteado, SP, Brazil. In 2012 he won the FAAP Scholarship Award for works presented at the 44th Anual de Artes that same year. He as shown at several solo and exhibitions in galleries and institutional spaces. The artist mixes techniques of traditional and contemporary painting in the construction of images expressing movement and dynamics. 

___________________________________________________________________________________________________

 "Pereidolia is inevitable." This is how the young São Paulo-based artist Antonio Lee synthesizes one of the plots in his first solo show outside Brazil. Pereidolia, the phenomenon which he refers to, deals with the general image or sound that is perceived as meaningful from random stimuli. The title of the show makes explicit the human necessity of familiarization, even if by way of minimal catalysts. "We are seduced by the desire to give meaning to the world," says the artist who under this aegis, allows these pictorial games constructed by him to unfold, involving the viewer with doubt, projections, desires and redefinitions.


    Hairs, tufts, faces, human figures, vases, cups, diverse animals. The new series by Lee excels in providing us with such similar elements making for a virtually endless  aggregation of images we may find in these paintings. It is a clear skill of the artist to create over these otherwise white surfaces an assortment of universes and present them with unity. But that is an a priori impression. Lee works copiously in each work and never escapes the studio discipline to achieve such visual results.


    In the new series that grounds Pareidolia, Lee exhibits his versatility in using materials to account for multiple results. As such, the quick gesture of the airbrush, the permanence and density of oil, the dark strokes of pencil drawing, the malleability of acrylics, all contribute towards the fragmented panoramas created by the artist and gain an internal coherence, highlighting the specificity of each of these pictorial "subjects." In relation to his previous individual show that took place in São Paulo in 2015, Lee appears to have shattered the elements further still, lending a more washed-out palette to the paintings as a consequence.


    The production of the São Paulo-born therefore seems to be connected to the maximized circulation, placement and sharing of images and information in our times, at an exponential level. It is as if the spirit of collaging were predominant, but the tools of this choice are the same as painting. Palette, light, color, gesture, all of these components have already been used to the point of exhaustion in the History of Art for its more 'noble' language, and are today coming together in a Brazilian context ,under this relatively recent support, this time further south of the Equator.


    "(...) The Brazilian artists employ a greater constitutive effort than their contemporaries and Europeans. They elaborate elements of Brazilian and foreign art to compose a language, not to deconstruct a speech "1, writes Brazilian art critic Tiago Mesquita. At the same time, it is possible to relate the 'freshness' of Lee's work with important moments in the history of Brazilian Art, as the "pleasure of painting" of the so-called "80's Generation ", that is also connected to other chains of pictorial worldwide 'explosion' in those years. It is interesting to notice that most of the 80's painters expose joyous clippings as Lee and his generational peers.


The trace of collage already manifested itself in Lee's work. During his initial production, he desired to preserve the life of found photographs on the web by arranging them into bizarre compositions. With these present works, the artist does not base himself in verisimilitude, but more on what is suggested, as a trace of that which may be. Thus, Antonio Lee, joins the cacophonous and the incomplete to, henceforth, create an unsettling move, so valuable to contemporaneity.

_______________________________________________________________________________________________

///// Emma Thomas is a gallery from São Paulo, Brazil, that was created to rethink the art market and to present emerging Brazilian artists. The gallery was founded in 2006 and was one of the pioneers to foment young art and to maintain an intense cultural program, 14 exhibitions a year, talks, performances, shows, residences and art fairs. 

///// Emma's mission is to promote and democratize the access to contemporary art, believing in cooperation and using the gallery space as a meeting point for artists / curators projects, integrating the public and the ambience in the program, resignifying the relation between inside and outside the 'white cube', creating an exchange between local and international artists, markets, and cultural agents.

///// Emma Thomas is the second Brazilian gallery to open in New York, showing a rising internationalization of the Brazilian art market. Focusing on new poetics, such a conceptually rich and socially complex context as contemporary Brasil, the gallery is committed to the community and the artistic scene, drawing original channels to promote the art research.