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Fronteiriços

De 07 de maio a 18 de junho de 2011

No jargão médico, “fronteiriço” é alguém meio louco, meio normal; alguém que está no limite entre dois mundos e por isso merece atenção especial. No mundo da arte, as divisões entre os suportes estão cada vez mais esgarçadas, fazendo com que a linha que antes separava escultura, desenho, pintura e vídeo seja cada vez menos plausível – um limite quase imaginário entre territórios se invadem reciprocamente. Estas interseções formam o alicerce de “Fronteiriços”, exposição coletiva que a galeria Emma Thomas inaugurou no sábado, dia 7 de maio.

Com curadoria da crítica de arte carioca Daniela Name, a mostra reúne jovens artistas em um elenco bastante heterogêneo. Alessandro Sartore, Bruno Miguel, Caroline Valansi, Érica Ferrari, Gabriel Zimmler Neto, Jaqueline Vojta, Laerte Ramos, Letícia Lampert, Lucas Simões, Márcio Banfi, Matias Mesquita, Nazareno, Rodrigo Torres e Siri têm trajetórias e linguagens muito distintas. Em comum, o fato de que trabalham com suportes híbridos: um objeto pode ser pintura; uma escultura é também situação; uma performance é trabalho sonoro e tecnológico; uma instalação pode ser paisagem; uma pintura pode ser desenho.

Outro ponto de convergência é a situação fronteiriça de suas carreiras: de modos e intensidades muito diversas, são artistas que estão com um pé lá e outro cada da porta de entrada do mercado de arte. Em consonância com a história da Emma Thomas – uma galeria que sempre teve orgulho de ser híbrida, espelhando seu catálogo -, “Fronteiriços” oferece novos territórios poéticos ao público de arte de São Paulo. Faz isso em um momento estratégico, às vésperas da abertura da SP Arte, dando a estes artistas – os do elenco da galeria e os convidados especialmente para a mostra – a oportunidade de devassar outros universos.

A alfândega não faz mais sentido. “Fronteiriços” é um convite para pular a cerca.
Texto: Daniela Name